Gestão de Crises e Recuperação de Negócios
- Raul Dias

- 7 de mai. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 20 de fev. de 2023
As crises são inevitáveis à gestão de negócios, lidar com uma grande crise é uma questão complexa. Um grande evento (ou vários combinados), pode originar cenários de crise que podem ameaçar a continuidade do negócio ou da empresa.

Estes eventos colocam à prova a preparação e a capacidade de resposta de um negócio, testando a liderança, recursos e a reputação numa situação em que não existe margem para erros. Um bom processo de gestão de crises tem como objetivos dar resposta aos diversos cenários de crise, desde a sua identificação até à sua superação.
De salientar que as crises podem ter origem interna ou externa, no caso de fatores internos a empresa terá sempre maiores probabilidades de prever e sanar crises. Nos casos da sua origem ser em fatores externos, a empresa poderá sempre preparar diversos cenários de resposta às eventualidades que possam ocorrer.
I – Prevenção e Continuidade de Negócios
Um modelo de gestão de crises tem como objetivos definir as linhas de defesa do negócio, orientando o desenvolvimento da resiliência empresarial, a priorização de atividades e eventos, procurando minimizar a exposição a possíveis cenários de crise.
A gestão de crises visa estruturar processos e atividades, que reduzam a exposição a riscos inaceitáveis ou vulnerabilidades. As linhas gerais de orientação estão relacionadas com:
A Gestão de Riscos: redução de riscos, mitigação de riscos, cumprir estratégias de negócios, melhorar a eficiência operacional e financeira;
A Gestão de Continuidade de Negócios: na resposta a incidentes operacionais inaceitáveis às operações críticas, requisitos de operações críticas, respostas em situações de contingência, preparação de estratégias e RH para contingências;
A Gestão de Crises: é a gestão de eventos de grande dimensão, monitorizar cenários pré-crise, capacitar RH, dar respostas em tempo útil, facilitar a comunicação às partes interessadas e definir planos de recuperação.
O Plano de Continuidade de Negócios (PCN): tem como objetivos traçar estratégias e planos de ação, identificar as atividades críticas que permitem o funcionamento, a disponibilidade de serviços e atividades essenciais ao negócio, durante qualquer falha ou evento até à reposição da normalidade da situação. O PCN pode ser dividido em 4 partes: Plano de Contingência, Plano de Gestão de Crises, Plano de Recuperação de Desastres e Plano de Continuidade Operacional.
No entanto muitas vezes não existe um PCN, na maioria dos casos são utilizados por empresas ou organizações de maior dimensão. Assim, quando existem eventos que originam crises profundas como poderá a empresa reagir e proceder à recuperação do negócio?
II – Gestão e Recuperação de Negócios
Os principais problemas associados à recuperação de empresas e negócios estão relacionados com três pontos principais:
Falhas na análise de medidas preventivas e nas causas da crise;
Reações tardias na resposta às crises e problemas;
Lentidão nas reações às crises e problemas.
O desenvolvimento de um plano de recuperação de negócios pressupõe um conjunto de passos e análises que devem ser desenvolvidos, permitindo estabelecer planos operacionais e estratégicos por forma a tentar superar os desafios impostos.
Um roteiro/ plano para a recuperação de um negócio poderá ser elaborado com base nos seguintes pontos:
1. Diagnóstico da Situação Atual: permite estabelecer um ponto de partida de quais as áreas críticas ou sistemas que terão de ser alterados/ melhorados com vista ao sucesso. Para tal será necessário efetuar uma análise da situação atual englobando as áreas: financeira, estratégica, operacional, estrutural, gestão, especificidades culturais e sociais.
2. Análise de Despesas Gerais e de Estrutura (administrativas, comerciais, operacionias e técnicas): este ponto é fundamental para a saúde financeira numa situação de crise, a empresa deverá analisar a rubricas de custos e gastos com o intuito de diminuir ao máximo possível as despesas, sem colocar em causa as atividades críticas do negócio.
3. Inovação e Produtividade: estas assumem um papel fundamental nas empresas, especialmente na fase em que orçamentos demoram a fechar, contratos a renovar e a rentabilidade entra em declínio. A aposta deverá ser na melhoria dos processos, automatização e inovação das operações aumentando a eficiência e capacidade produtiva, ao mesmo tempo que permite diminuir desperdícios e custos.
4. Medidas Estratégicas: o planeamento é fundamental, acompanhar o mercado e clientes de forma eficiente, adequar os objetivos do negócio e competências da empresa de acordo com as metas e resultados esperados, alinhando os recursos internos com o ambiente externo. Este é um processo sistemático e com uma visão de longo prazo.
5. Marketing e Comercial: partindo de uma análise da situação atual, o objetivo será estabelecer políticas e ações para mitigar a crise. Para tal deverão ser analisados os pontos relativos à gestão de produtos, gestão da marca, inovação, comunicação, medição de resultados, cuidar da base de clientes, inovar no negócio e reduzir gastos, assim como negociar contratos e antecipar recebimentos.
6. Análise social: nos momentos de crise os recursos humanos são essenciais, a forma como a empresa e os líderes lidam com as pessoas terá repercussões muito além da crise. Deverá ser realizada uma análise ao nível de novas formas de trabalho, estabelecer canais de comunicação simples e direcionados às equipas, facilitar a adaptação à mudança, focar-se no que é importante, definir metas e responsabilidades de forma clara, é essencial que cada um saiba o que fazer, como e quando, que se sinta apoiado de forma a conseguir obter resultados positivos.
Para que se atinja o sucesso na implementação de um plano de recuperação, é necessário que todos os envolvidos estejam comprometidos com os planos e metas delineadas, de forma a que se crie um espírito de equipa, com o objetivo comum da sobrevivência e recuperação do negócio, o seu sucesso terá claras vantagens para todos os envolvidos.
Bons Negócios!
Raul Dias 2020 ©



Comentários